O brasileiro que vive sozinho em uma ilha há 32 anos

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admin admin em 10/02/2015


Sabe quando os estresses da vida urbana nos fazem ter vontade de largar tudo e ir viver em uma ilha deserta? Caio Rodrigues Rego tornou esse desejo realidade quando, há 32 anos, aceitou o trabalho de ser caseiro na mansão de uma família norte-americana na Ilha dos Gatos, em São Sebastião, Litoral Norte de São Paulo.

A família não ficou muito tempo por lá e a mansão acabou em ruínas, mas Caio permaneceu como cuidador da ilha. Nos três primeiros anos, sua mulher e três filhos aceitaram ficar com ele na área que fica a 5 km do continente, mas assim que sua filha mais velha chegou à idade de ir à escola, Caio se viu sozinho em uma ilha de 75 mil metros quadrados. “Eles foram morar na praia, que fica a dez minutos daqui. E eles estão aí, próximos, todo dia encontro com eles, falo com eles“, afirma o cuidador em entrevista à TV Vanguarda.

Mas embora a ilha fique próxima ao continente e seja destino comum de turistas e pescadores, nem sempre Caio tem companhia. Ele afirma já ter ficado mais de 20 dias sem falar com ninguém. “É uma questão de consciência, existe um diálogo com você mesmo. Quando você consegue ouvir alguma coisa é de você mesmo. Não há interferência nenhuma, nenhuma buzina“, conta.

Na cozinha não faltam produtos básicos, que ele mesmo busca na praia, mas a ausência de água encanada e eletricidade tornam sua vida mais simples e menos conectada. Além disso, Caio não dispensa um bom peixe no almoço ou no jantar, que ele pega com as próprias mãos, em frente à casa em que mora.

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Foto © Munir El Hage

A ilha teria recebido esse nome após ser infestadas por ratos. Para acabar com os roedores, dezenas de gatos foram espalhados pela área e a população dos bichanos logo chegou aos 5 mil. Foi com uma praga desconhecida, no entanto, que todos os gatos foram extintos e a ilha, comprada pelo milionário norte-americano Nelson Rockefeller durante o governo Getúlio Vargas. Depois disso, a área foi repassada a um familiar do empresário, chamado Richard Aldrich, que investiu na construção de uma mansão com o objetivo de fugir do holocausto nuclear.

Hoje, a Ilha dos Gatos pertence à União e está sob inscrição da Sociedade Ecológica Brasileira. Se Caio ainda estranha viver sozinho por lá? “Só tem que ter paciência de esperar as coisas acontecerem. As coisas vêm até mim normalmente. Quando você quer alguma coisa, você consegue, não importa o lugar“, afirma.

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Fotos via Ilha dos Gatos/Facebook

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Imagens © TV Vanguarda

[Via G1]

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